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O ATO DE JEJUAR
em 04/12/2013

Por Marina Cumino

 


Há milênios, a prática do jejum é considerada sagrada entre os mais diversos povos. Jejuar é considerado um ato de conexão com Deus e suas Divindades. Jejuar é dar ao corpo tempo para processar toda a informação recebida no nosso dia a dia desequilibrado. Jejuar é purificar nosso corpo e nossos sentidos.

 

Na Índia, há mais de três mil anos, os sábios, chamados de Rishis, iam para a natureza e praticavam o jejum como forma de se conectar com o sagrado e receber, ou intuir, informações sutis. Nos Vedas, os livros sagrados daquele povo, a prática do jejum é recomendada para a purificação do corpo e como caminho para a iluminação. Se abster da comida seria uma forma de abdicar do mundo material e deixar o corpo limpo; deixar de gastar energia com digestão, para colocar todo o foco no controle dos sentidos, na meditação e na abertura dos canais prânicos.

 

Na Bíblia, o jejum é citado nos três evangelhos sinóticos, Mateus, Marcos e Lucas. Em Mateus, 4-1, Tentação no deserto, está escrito: “Então Jesus foi levado pelo espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo. Por 40 dia e 40 noites esteve jejuando (...)”. Este foi o último preparo a que Jesus se submeteu a fim de vencer as tentações do mundo figuradas na imagem do diabo antes de se apresentar pregando a boa nova.

 

No Islã, o jejum durante o mês do Ramadan é um dos cinco pilares de sustentação da religião. Durante todo o mês, desde o nascer até o pôr do sol, é proibido comer, beber, fumar e ter relações sexuais. Ramadan, o mês de jejum, foi o mês em que Maomé teve sua primeira revelação, que foi a aparição do Anjo Gabriel para revelar-lhe o Alcorão. O jejum simboliza o retiro que cada mulçumano deveria fazer, como fez Maomé.

 

Em muitas outras religiões mais recentes, a prática do jejum também foi incorporada, seja como forma de expiar os pecados, de aproximar o religioso de Deus, de desenvolver autocontrole, buscar bênçãos, refinar o espírito, ou para conseguir desprendimento dos desejos mundanos e egoístas.

 

Na medicina ocidental, o jejum muitas vezes é recomendado nas dietas pós-cirúrgicas. Mas em situações bem mais simples, muitas vezes sentimos a necessidade de diminuir a quantidade de comida ingerida, seja numa gripe comum, num caso de intoxicação alimentar, ou mesmo de má digestão. Jejuar abre espaço e tempo para o corpo trabalhar e curar o que seja necessário.

 

Essa visão é compartilhada no oriente e no ocidente. No site de uma organização internacional fundada na Índia, a Ananda Marga, o jejum é justificado da seguinte forma: “Jejuar periodicamente é muito benéfico para o corpo por múltiplas razões. Uma das funções do tecido sanguíneo é transportar substâncias nutritivas do intestino delgado para as células dos diversos tecidos e, inversamente, acarrear os desperdícios das células para que sejam eliminados através dos rins. Quando, devido ao jejum, o sangue não leva alimentos às células, estas podem acarrear os desperdícios, ou seja, dá-se um processo de purificação física. Podemos dizer que o intestino, estômago e os órgãos internos agradecem esse tempo para poderem dar uma relaxada e, ao mesmo tempo, sendo um grande remédio para cura de muitas enfermidades”.

 

Segundo o Ayurveda, a tradicional medicina indiana, o jejum é uma das melhores formas de tratar indigestão e de desintoxicar o corpo. Também é indicado para o tratamento do diabetes, excesso de umidade no corpo, febres inflamatórias, rigidez articular, artrites e reumatismos, resfriados, doenças de pele, herpes, obesidade, sensação de peso, náuseas constantes, entre outros.

 

Mas para realizar um jejum é necessário observar alguns cuidados. Pessoas muito debilitadas, convalescentes, ou com baixa resistência física ou mental, NÃO PODEM se submeter a jejuns. Também é importante ressaltar que, para um tratamento com jejum, é preciso uma entrada gradual, assim como um retorno lento à alimentação habitual. Por isso, deve-se cortar por alguns dias os alimentos mais pesados, como carnes, ovos, massas, frituras, alimentos industrializados e açúcares, mantendo-se pelo menos por dois a três dias com alimentos leves e digestivos. O intestino também precisa estar funcionando regularmente.

 

O jejum não é indicado apenas como tratamento, mas como uma rotina de vida saudável. Qualquer pessoa sem problemas graves de saúde, inclusive as saudáveis, devem realizar, uma vez por semana, um jejum consumindo apenas um litro a um litro e meio de água morna (ou chá) por dia.

 

Para quem não consegue ficar só na água, segue uma receita de um jejum simples, de 36 horas, que também pode ser feito semanalmente. A preparação começa na noite anterior ao jejum (sugere-se que seja no domingo à noite, para compensar os excessos do fim de semana). Deve-se fazer uma refeição leve, de preferência uma sopa. No dia do jejum só são permitidos líquidos: leite, sucos de frutas ou verduras, iogurte batido com aveia e amêndoas, sopas. Água pura ou chás de ervas à vontade. O café da manhã do dia seguinte já está liberado, mas deve ser leve, atendendo à real necessidade da fome da pessoa.

 

Não recomenda-se a prática do jejum no dia do trabalho espiritual no terreiro. A incorporação exige que o médium esteja forte, bem alimentado e se sentindo bem. O ideal, nestes dias, é comer alimentos leves e saudáveis, evitando carnes, frituras e álcool. Deixe o jejum para um dia mais tranquilo da sua semana.

 

Mas seja como prática de cura, ou de disciplina espiritual, o jejum é sempre benéfico para corpo, mente, emoção e espírito.


 


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