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A INTOLERÂNCIA QUE BATE A PORTA
em 20/08/2015




    Em 2014 foi instaurado o Comitê Nacional de Diversidade Religiosa, o órgão visa assegurar a igualdade de direitos, planejar e por em prática políticas públicas que defendam a liberdade religiosa no país. Ele é amparado pela Lei 7.716 que criminaliza qualquer tipo de discriminação por raça, cor, etnia, raça ou religião, sob pena de dois a cinco anos de prisão. Os movimentos contra intolerância religiosa vem tomando forma e alguns poucos casos de violência já chegam ao conhecimento da população.

     Kailane Campos, você pode não lembrar do nome dela mas, já ouviu falar da menina candomblecista que foi alvo de intolerância religiosa ao sair de um terreiro no Rio de Janeiro. Em junho também deste ano, a Mãe Dede de Iansã como era conhecida, sofreu um infarto fulminante após manifestantes protestarem durante a madrugada em frente ao seu terreiro. Diferente de Kailane que chegou a ter uma pedra arremessada contra seu rosto, a Ialorixá sofreu uma violência indireta e mascarada dentro dos segmentos sociais. A pressão ou até mesmo exclusão de oportunidades por conta da religião, não agride fisicamente, mas corrobora para extinção cultural dessas tradições religiosas.  

   Esses foram dois casos que ganharam destaque nos jornais dos últimos anos, porém, a intolerância é praticada a muito e vem crescendo cada vez mais e sem a atenção necessária dos conglomerados de mídia. Junto dela ergue-se um exército impiedoso que discursa ódio e que esquece do princípio básico de qualquer religião: o amor. O conceito de respeito ao próximo precisa ser revisto, e a única palavra que não deve ser tolerada nesse contexto é a própria intolerância. 


    Junto desse pensamento movimentos do próprio governo interagem com a causa, A Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República SDH/PR, criou em 2011 o Disque Direitos Humanos ou Disque 100. O serviço atende gratuitamente ligações de qualquer lugar do país, recebendo denúncias de caráter social que incluam violações aos direitos humanos em geral. O departamento de ouvidoria recebe as denúncias, registra e age adotando as possíveis providências. Desde a criação do Disque 100 até o mês de fevereiro deste ano, foram recebidos 535 denúncias do gênero religioso. Sendo em sua maioria ataques a comunidades Umbandistas e Candomblecistas. 









     Para saber mais sobre o Disque 100 acesse: www.sdh.gov.br. Em entrevista à agência de notícias Adital, a secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil CONIC, Romi Benck pontua: “No contexto em que vivemos, assumir o diálogo entre religiões como princípio é fundamental. A máxima de que não haverá paz entre as nações se não houver paz entre as religiões mais do que nunca se torna um desafio real e concreto”. A sociedade é protagonista dessa história e está no centro dos conflitos como personagem, é necessário que ela esteja atenta, preparada para denunciar e divulgar programas como o Disque 100 que auxiliam na erradicação da problemática. A postura de trégua é a maior arma contra conflitos que partem de interesses particulares, políticos e ideológicos e adoecem as pluralidades.  

 



Texto: Júlia Pereira

 

Fontes:  

www.planalto.gov.br  

www.sdh.gov.br

www.conic.org.br